Aba Anônima
- Ruan Coelho
- há 2 dias
- 3 min de leitura
Por Beta Lima, Giovanna de Souza, Pedro Leão, Rayane Lima
Em uma construção de atmosfera sensual e livre de rótulos, nasce a expressão da identidade libertina da natureza humana, e a celebração da cultura Queer. Aba Anônima, título que faz apologia ao tipo de navegação online utilizada para acessar conteúdos pornográficos por boa parte da população mundial, é uma coletânea fotográfica que expressa a quebra da inocência conservadora para alcançar a liberdade sexual natural da humanidade. O profano, neste trabalho, não deve ser visto como o simples desrespeito a religião ou falta da mesma, mas sim como o encontro com o seu eu mais profundo, a liberação as energias e sensações que já existem em si próprio, e o encontro com o prazer, sentimentos externalizados para transmitir a mensagem “Eu sou quem sou, e liberto sou”. O uso de cores como amarelo, branco, azul e vermelho não são por acaso. Foi feito o uso da psicologia das cores, onde cada tom e ambientação representa um sentido emocional e psicológico. As cores branca, amarela e azul representam a calmaria, a plenitude, a inocência, a pureza; cores que junto aos demais elementos da fotografia, buscam transmitir uma certa sensação de calma e inocência conservada, o tradicional. As cores vermelho, azul e roxo simbolizam a libertação, o profano, a mudança de pensamento para algo mais livre, autêntico e exótico. As cores complementam a narrativa, assim como a composição fotográfica.
Com referências, personagens e arcos dramáticos inspirados no filme “The Rocky Horror Picture Show”, um filme musical de 1975, Aba Anônima é o projeto que transmite a principal mensagem do filme: a libertação sexual, a aceitação de quem você é e a desconstrução de tabus e moralismos conservadores. O filme conta a história de Janet e Brad e seu processo de libertação quando conhecem o cientista alienígena Frank N’Furter, e seu grupo de pessoas “estranhas”, Durante a noite, Frank N’Furter revela sua mais recente e bela criação: Rocky Horror, um homem musculoso e loiro projetado para ser o par romântico perfeito. O que se segue é uma noite de festas, intrigas, assassinatos cometidos pelo cientista e uma série de envolvimentos românticos que quebram completamente as noções tradicionais de moralidade e gênero de Brad e Janet. O filme termina com a morte do personagem que mais marca e que representa a comunidade LGBTQIAPN+, o Frank. Ele se tornou um dos filmes com maior tempo de exibição na história, inspirando uma legião de fãs que comparecem às sessões fantasiados, cantando as músicas e interagindo com a tela. É considerado um marco absoluto de aceitação, resistência e cultura queer.
Ao invés de seguir a narrativa do filme, as fotografias usam os personagens como ponto de partida e escalam um elenco que os representam, no entanto, sem seguir a narrativa exata do filme, construindo uma realidade paralela onde a liberdade é o ápice da vida. O filme e o trabalho fotográfico buscam normalizar o sensual, que vai muito além de papéis de gênero. Aba Anônima tenta desmistificar pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ como seres alienígenas que devem morrer para “salvar a sociedade”, como ocorre em “The Rocky Horror Picture Show, mas sim seres que devem ser celebrados e que merecem ter sua cultura e identidade lembrada e respeitada, o que não significa ser profano, mas sim livre do pensamento conservador. A composição de luz, os ângulos ousados, cores e maquiagens pesadas que se assimilam com o drag, para expressar luxúria, prazer e sentimentos considerados profanos ou fora da normalidade por visões conservadoras.











































