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Diversão Efêmera: é tão mau querer viver?

Por Estela de Assis, Igor Santos e Rebecca Di Pardi



Oráculos são abertos com energia de renovação, instigados por cada desejo de ansiedade e anseio. A alma jovem humana clama por vida. Não pelas opressões e amarras sociais, mas pelo ser, por todas as vontades inerentes do ser humano.


O incerto e o imprevisível são o que alimentam nossa subsistência, são o que movimentam as singularidades pessoais a cruzarem os caminhos e compartilharem situações execráveis ou benevolentes, que serão esquecidas no primeiro compartilhar de taças.


A primeira carta voa com graça, com sua candura digna; o sol traz sua liberdade e vitalidade para se permitir florescer. Em seguida, a imperatriz indica, na pureza do vernáculo, sua fertilidade para novos ciclos sociais que virão com a cura, que apenas a estrela pode proporcionar.


A atmosfera do prenúncio invade a sexta-feira; suas cores holográficas causam uma boêmia com alma de flerte que se torna intransponível, hipnótica, onde as essências já não são mais comungadas. São nutridas pelo ego, por uma vaidade complacente.


Sob as luzes do globo, há uma certa inocência, sustentada pelo afeto e pelas situações que percorrem tudo ao redor. No âmago de cada criatura, a efemeridade assombra seus passos de dança que, mesmo frenéticos, liberam da dor a possibilidade do infinito.


No frenesi descompassado, um rendez-vous pela mesa é ensaiado e os dados jogados demonstram, cada vez mais, as escolhas irremediáveis. Como um juiz, sua sentença se torna lúdica, mesclando-se com os seis de ouro que rapidamente te transportam para uma nova possibilidade, para caminhos bifurcados.


Na busca incessante pelo próprio ser, pela paixão, pelo entretenimento, apenas nos vemos absortos em uma roda interminável de quereres e sonhos que, talvez, com o passar dos anos, serão esquecidos. Os lábios de cetim beijados, o perfume misturado com o cigarro e o álcool que rasga garganta abaixo, em determinado minuto ou segundo, deixarão de fazer sentido.


Mas talvez tamanha repressão e o medo que cada geração tem ao se preencher dessa vontade anárquica, ao se permitir, ao viver, transfigure tudo para a maturidade. São nesses momentos que, mesmo entretidos e acompanhados, paquera-se com a introspecção.


Será que é tão mau querer?

 
 
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